Skip to main content

A menina que sonhava em aprender a ler – Parte I

Compartilhe!

Em uma rua sem número, morava uma menina sem nome, cujo desejo era aprender a ler. Pois desde pequena ouvira que a leitura pode transportar as pessoas para um novo mundo, longe da realidade, e ela precisava disso.
Dividia uma pequena casa de dois cômodos com sua mãe e mais cinco irmãos. Nunca pode ir à escola, visto desde pequena ser obrigada a trabalhar para ajudar no sustento. Assim como a filha, a mãe não tinha nenhum estudo e por isso achava não ser algo importante.
– Vá menina! E é bom não voltar sem trocados! -Ordenava sua mãe toda manhã.
– Sim, mamãe. – Respondia obediente a filha.
E assim seguia a menina sem nome, por caminhos estreitos e sujos,  a fim de encontrar algo novo que lhe desse esperança. Trabalhava varrendo o chão de uma lanchonete em frente à uma escola. E todo dia ela imaginava como poderia ser aquele lugar.
– Ei menina, me traga guardanapos! – Falava um professor que toda tarde tomava café ali.
– Aqui.
– O que você está olhando? -Retrucou ele ao perceber que a menina olhava atenta para os papeis sobre a mesa.
Ela apenas abaixava a sua cabeça.
– Sabe o que é isto?
– Não, não senhor. Eu não sei ler.
– Sorte a sua! Não precisa corrigir essas benditas provas.
– Me ensina. – Clamou a menina.
– O que, a ler? – Deu uma risada irônica diante do pedido. -Não tenho tempo, se quiser uma aula particular, cobro 50 reais.
Mesmo diante da resposta, a menina não desanimou e trabalhou incansavelmente dia e noite por três meses, até que conseguiu juntar a quantia exata. E numa bela tarde, estendeu a mão e disse:
– Me ensine a ler.
O professor, ao ver o dinheiro em sua frente, não conteve as lágrimas e deu um abraço na menina. Porque ela, sem a menor instrução e de poucos meios era uma aluna com sede de conhecimento. Então, ele se propôs a ensinar tudo o que sabia para a menina.
Depois de duas semanas, a menina fez uma descoberta incrível. Pegou os papeis velhos que sua mãe mantinha guardado e leu em alto e bom tom:
– Meu nome é Laura. Nasci em 28 de novembro de 2001. – pronunciou a frase inicial da sua certidão de nascimento.
E depois leu o nome de sua mãe e irmãos. Saiu correndo de casa e parou em frente a placa da sua rua.
– Rua José Emanuel,301.
A menina que antes estava presa em um mundo triste e injusto, agora podia enxergar um novo dia, um mundo novo que podia chamar de seu,porque a leitura abriu a sua mente e desde então, a menina nunca mais parou de ler.

 

Priscila Quézia Azevedo

5 comentários em “A menina que sonhava em aprender a ler – Parte I

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Mostrar
Esconder