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Clássicos da Literatura Brasileira: Memórias Póstumas de Brás Cubas

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“Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas.”

Já imaginou conhecer a vida, os pensamentos e até as emoções de um defunto? Bom, é verdade que “isso não é possível”, você diria. As memórias de alguém podem ser recontadas por outro alguém, por meio de um registro oral ou mais comum, escrito. Porém, a histórias que estarão prestes a descobrir é narrada não por um parente do falecido, mas pelo próprio! Como isso é possível? Você vai ter que perguntar para ele. . . 

     Literatura Nacional- Romance/ 152 páginas/ Editora Moderna

 

Como bem sabemos, literatura clássica não é tão popular quanto os demais gêneros que surgiram durante os anos; e quando se fala de literatura brasileira, lembramos logo daqueles livros sugeridos pela escola que são de alguma forma “obrigatórios” para a leitura em determinados anos. E não vou mentir para vocês, eu também não considerava a maioria dessas leituras, prazerosas. . .

Mesmo assim, é válido salientar a importância de ler tais livros, de conhecer a nossa história, a nossa literatura, os nossos autores. Escolhi Memórias Póstumas do saudoso Machado de Assis, porque é um dos meus favoritos. Li enquanto estava na escola e não me arrependi. Reli depois que terminei o ensino médio para uma melhor absorção do que eu tinha lido, então decidi compartilhar com vocês:

Como o título da obra já é bem sugestivo, são as memórias de um falecido, no caso, Brás Cubas. E como é dito no primeiro capítulo de ‘óbito do autor’, ele não é um autor defunto, mas um defunto autor!( Por isso amo Machado, um gênio das palavras) E como naquela época a pneumonia era uma doença extremamente grave, com pouquíssimas chances de cura, nosso sincero Brás Cubas, faleceu devido a esse deletério.

No entanto,mas, porém,contudo, todavia, não deixou que a morte o calasse! (Ousado, não?) Para que essa ideia seja compreendida, irei usar o recurso de perguntas retóricas com vocês, ok? Assim entenderão o porquê dos adjetivos sincero e ousado,dado por mim para Cubas. ATENÇÃO!

Sabe quando você tem uma opinião sobre certa(s) pessoa(s)? Mas que você às vezes, seja por educação, juízo ou padrões de ética sociais, não pode chegar até ela(e) e falar o que pensa? Pois bem, nós aprendemos desde bem cedo que não podemos dizer tudo o que pensamos sobre os outros, é “falta de respeito”, alguns ou a maioria ou todo mundo diria. Mas, se você, de repente, pudesse dizer aquelas ‘poucas e boas’ para alguém que a muito tempo você suporta? Ou aquela pessoa falsa, mentirosa, metida, insensível e e e!( Existe muitas pessoas com defeitos de caráter assim, não é? Fique livre para imaginar mais maldejetivos -> acabei de inventar isso.)

Enfim, voltando para a história, me empolguei! Machado faz com que o protagonista conte sobre sua vida, amores, planos, mulheres, ambições, sonhos… sobre tudo o que ele viveu e com uma página extra de comentários que quando vivo, ele não podia fazer. É genial ver como as figuras públicas são descritas pelo personagem. Pessoas ligadas à política, mulheres ambiciosas, como a nossa sociedade está cheia de pessoas de segundas intenções, que fazem o que é politicamente incorreto e ainda continuam apontando o dedo para os outros. É uma cena real, com personagens embora de um século já esquecido, mas vívidos nas pessoas nos nossos dias.

Todo mundo sabe, percebe, sente, as intenções ou ações dos outros; apenas aprendemos a aceitar o que é errado, o que não é certo(espero que tenham entendido a redundância) para não entrarmos em mais conflitos, pois já basta os que já vivemos. Mas quem disse que já basta? Por que simplesmente não conseguimos dizer para alguém que não gostamos de tal pessoal ou de uma determinada atitude? Por que aturar até o limite em vez de fazer uma reconciliação?

Essas são algumas das infinitas coisas que enfrentamos durante a vida com as pessoas que nos cercam, e se temos uma lição a aprender com Brás Cubas, não só uma, mas acima de tudo: tenha consciência de seus atos e lute por aquilo que é importante para você, mesmo que para os outros não seja. Pare de ser usado pelas pessoas e não se torne como elas, só porque o que vê são defeitos, lute para ser diferente e fazer o bem para todos, sem joguinhos, “aprenda a encantar e a desencantar” ( intertextualidade Clariciana aqui) pois um dia, tudo isso vai acabar e então você só ficará na recordação das pessoas pelo o que fez e pelo o que foi, o resto, só faz parte do “legado da nossa miséria”.

 

 

9 comentários em “Clássicos da Literatura Brasileira: Memórias Póstumas de Brás Cubas

  1. muito bem, espero que todos os leitores sinceros reflitam naquilo que podemos aprender desses escritores do passado que nos trazem das suas pinceladas da vida algo de bom que não vemos, valeu Pri. gostei da resenha.

  2. Hoje ao sair de casa uma frase do livro me veio à mente: “Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis; nada menos.” Apesar de morto, parece que o bom humor do falecido permaneceu intacto (risos). Por uma boa coincidência vejo a resenha do livro que eu estava pensando no seu site e que me surpreendeu como você sempre faz. Parabéns Priscila!

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