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{Resenha} Doce Perdão – Lori Nelson Spielman

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    Chick-lit/ 322 páginas/ Verus Editora

 

“Perdoar é libertar um prisioneiro e descobrir que o prisioneiro era você.” – Lewis B. Smedes.

Eis o meu segundo Chick-Lit! E sim, da mesma autora de A Lista de Brett (resenha no site: http://livrosecontos.com.br/2015/12/10/resenha-a-lista-de-brett/ ), Lori Nelson Spielman.

Caso você não conheça ainda a autora, ela acabou me surpreendendo bastante pelo seu ritmo de escrita e a forma como ela consegue relacionar os fatos durante a história. É tão bem escrita que você vai se surpreendendo ao longo da leitura. Eu pensava que apenas em A Lista de Brett que causaria esse efeito em mim, mas estava enganada mais uma vez. Em Doce Perdão, fui pegue de surpresa com trechos e revelações tão bem dispostas na leitura que eu entrava em pequenas êxtases no decorrer da narrativa. Mas sobre o que se trata exatamente o livro?

Hannah Farr é a nossa protagonista! É uma famosa apresentadora de TV de New Orleans, assistida todas as manhãs  por suas fãs, e há dois anos ela namora o prefeito da cidade, Michael Payne. Sua vida parece mais equilibrada do que nunca, porém, tudo está prestes a mudar com o aparecimento de duas pequenas pedras.

As Pedras do Perdão, acabaram ganhando fama no país inteiro. Mas no que consistiam? Elas foram criadas com um objetivo bem simples, você deve enviar duas pedras para alguém que você ofendeu ou maltratou. Caso a pessoa lhe devolva uma delas, significa que você conseguiu o seu perdão.

Bonitinho, não é? Isso, até você começar a desenterrar do fundo da sua mente verdades que cuidadosamente foram esquecidas. Hannah acaba entrando em uma situação difícil, pois sua vida pessoal, no que diz respeito a sua família relativa, é muito controversa, até para ela mesma.

” … Reparar erros passados é um passo crucial para alcançar a paz interior. “

Hannah deverá mostrar coragem para consertar erros passados e até correr o risco de perder a sua imagem de uma mulher feliz, bem sucedida e que serve de inspiração para milhares de outras por conta de sua vida autêntica.

Ela acaba recebendo duas pedras, o que significa que deverá perdoar a pessoa que a entregou e após isso, pedir perdão para alguém. Tudo parece piorar quando a história de Hannah acaba por se tornar pública, ou seja, seus telespectadores ficam sabendo sobre sua missão com as Pedras.

No entanto, tudo o que Hannah precisa fazer é pensar nas consequências de seus atos, ela já foi exposta, agora precisa encarar as consequências disso. Será que perdoar é fácil? Sabemos que não! Por isso, Hannah se sente mais angustiada, pois não perdoou de verdade quem lhe entregara as pedras, estava apenas fingindo um perdão.

Para tentar sair dessa sinuca, Hannah busca ajuda de duas pessoas muito importantes na vida dela no momento: Dorothy e Michael. Aquela é a sua ex sogra, isso mesmo, a melhor amiga de Hannah é sua quase futura ex sogra, Dorothy, uma senhora muito simpática que está disposta em ajudar Hannah. E seu conselho é realmente de uma amiga leal, ela pede que Hannah primeiro se reconcilie com o seu passado para que assim possa seguir em frente no seu presente. Mas, para ela, fazer isso é impossível! O que será que Michael acha da ideia?

Michael, o que seria de Hannah sem ele? Bom, ela está apaixonada por ele e não vê a hora de dizer o seguro “sim”, mas conhecendo Michael durante a leitura, você vai acabar descobrindo que o nosso prefeito só é bom em fazer promessas, cumprir, já não é um sinônimo nada usado por ele quanto a isso! Mas quer saber, não vamos julgar esse pobre homem, faz parte de seu trabalho apenas fazer promessas bonitas, aparecer bem vestido e sorridente na frente das câmeras!

É por esse motivo, sua vida de aparências, que ele desincentiva de todas as maneiras a ideia de reconciliação com o passado. Michael não quer se envolver em conflitos familiares e muito menos colocar sua reputação em risco, por isso, aconselha Hannah a deixar essa ideia de uma vez por todas de lado.

Claro, ela poderia esquecer toda essa história de perdão e fazer as pazes e contar a verdade. Mas a verdade é que só conseguimos nos sentir felizes, quando expomos os nossos erros, quando dizemos para  alguém que amamos “desculpa, perdão” .

Além de enfrentar esse dilema, Hannah precisa ficar atenta as concorrências no âmbito profissional. O que gostei durante essa parte da leitura foi ver o quão as pessoas são cruéis e muitas vezes se fingem de amigas para depois nos deixar vulneráveis e nos derrubar. Principalmente no ambiente de trabalho onde a competitividade toma conta e muitas vezes, vemos as pessoas subirem em cima de outras para conseguirem o que querem. A nossa pobre Hannah será mais uma vítima dessas injustiças, será que ela consegue se sair dessa?

E como esse é o meu segundo Chick-Lit, não sei se faz parte do gênero acontecer muitas coisas durante a história, mas nesses dois volumes da Lori, percebi que as protagonistas passam por muitas coisas até o grand finale! Por isso que é quase impossível você não se apegar a vida das personagens, pois a construção é muito elaborada.

“Tentamos tanto camuflar nossas fraquezas…Não ousamos deixar a parte sensível aparecer. Mas é exatamente essa parte, o ponto delicado da vulnerabilidade, que permite que o amor cresça.”

Hannah passará por muitas reviravoltas, terá de enfrentar o passado e o presente. Confrontar a si mesma e decidir ser feliz por perdoar ou viver uma mentira de aparências. Amizades, amores, familiares, serão testados. Até onde você vai deixar a culpa te levar?

Ela acaba descobrindo que algumas vezes, podemos fazer uma escolha errada, mas nada nos impede de consertar aquilo e seguir por um outro caminho. A verdade dói, mas viver com o peso de uma culpa causada pela mentira pode ser mortífero. Aprendi que devemos abandonar esse deletério de vez. Aliás, pedir perdão é bíblico! Que autoridade maior para nos aconselhar do que o Altíssimo?

Perdoar é libertador. Apesar de alguns erros não serem esquecidos, não significa que não foram perdoados. Há casos e casos. Na história mesmo descobrimos isso, alguns erros perdoamos e logo são esquecidos, já outros, levam um pouco mais de tempo. Outro ponto a pensar é: por que será que essa pessoa me magoou assim? Sabemos que por detrás de um coração que fere, a sempre um ferido. Causamos muito mal quando tentamos esconder a nossa dor, porque de um jeito ou de outro, ela acaba vazando e atingindo quem não tinha nada a ver com a nossa situação.

“Acredito que o perdão é ainda mais doce quando concedido com uma memória viva, quando se tem plena consciência da dor que a outra pessoa causou e, mesmo assim, se escolhe perdoar.”

É necessário coragem para seguir em frente e mais coragem ainda em perdoar alguém que nos feriu. Humildade para aceitar o perdão e determinação para continuar vivendo depois de uma grande decepção. Será que somos capazes de pedir desculpas? Não deixe o tempo passar sem que você esteja de bem consigo mesmo, pois a verdadeira liberdade só acontece quando também perdoamos a nós mesmo.

“A escolha, na verdade, é bem simples: queremos levar uma vida clandestina ou uma vida autêntica?” Agir como alguém que não somos, é só mais uma mentira que você cria para os outros e para si. Peça perdão e você verá o quão tranquilizador será dormir de noite!

 

 

 

 

4 comentários em “{Resenha} Doce Perdão – Lori Nelson Spielman

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