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{Resenha} Holy Cow – Uma fábula animal

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     Literatura Internacional-Romance/ 208 páginas/ Editora: Record

 

“Eu sou uma vaca, meu nome é Elsie (é, eu sei). E isso não é conversa para boi dormir,viu? Nós pensamos, sentimos e fazemos graça, a maioria de nós, pelo menos.” – Elsie Bovary.

Olá aos leitores não quadrúpedes e aos que também são, pois se tem uma coisa que aprendi ao ler esse livro foi que, todos merecem nosso respeito e consideração, afinal, não somos todos animais? – Assustei você? Desculpe, ainda estou sob influência de uma nova amiga, chamada Elsie Bovary, uma vaca leiteira muito inteligente e divertida que mexeu completamente com os meus neurônios, quem diria que os animais aos quais julgávamos ser irracionais, poderiam ensinar tanto para gente! Então, estou divagando muito não é? Parece que até incorporei os costumes da minha amiga bovina, desculpem, voltemos ao enredo principal!

A história que vamos acompanhar é narrada por nada mais nada menos do que uma vaca, chamada Elsie Bovary (O que você já deve ter entendido). Ela tinha até certo momento, uma vida bucólico- pastoril ( Posso confessar que amei as analogias que o livro trás?) OU SEJA, ela vive uma vida normal de vaca: comer, pastar, ser ordenhada e depois começar tudo de novo.

Elsie nos conta como é a vida na fazenda onde ela nasceu, os animais que vivem ali, o fazendeiro e a família. Junto com essas informações técnicas, chamemos assim, ela exprime sua opinião a respeito de tudo. Como assim? Bem, Elsie nos revela que os animais, mesmo que seja estranho para nós humanos, têm sentimentos. Um exemplo disso é que eles não gostam nada das comparações que fazemos usando o nome deles, tipo: “Amiga, você é uma vaca mesmo!” – Elsie acha um insulto à ela e as amigas bovinas, pois segundo a própria, elas se preocupam muito com a aparência!

E quanto ao leite? Elsie acha esquisito beber o leite de outro animal, o que nós fazemos quase que desde os primórdios não é? Enfim, são várias observações que a narradora faz que nos identificamos muito, até porque ela faz de uma forma bastante divertida e descontraída.

Agora você deve estar se perguntando: Se Elsie tinha uma vida tão boa, sobre o que ela fala no livro? – Bem, ela tinha uma vida muito boa mesmo, mas, até que ponto ser ignorantes sobre o que acontece a nossa volta nos deixa confortável com o agora? Digo isso porque Elsie só era feliz, porque não sabia o que acontecia de verdade com os animais da fazenda. Mas um dia, tudo isso foi esclarecido para ela e quem melhor para esclarecer, exagerar, difamar e por quê não enganar, do que o “DEUS- CAIXA?” Você não sabe quem ele é? Qual é… todos nós temos o nosso deus-caixa, você talvez esteja até assistindo ele agora. . .

So… what’s the problem? O deus- caixa mostra a Elsie que a ‘nova moda’ era ter uma fazenda industrial, ou seja, ter os animais apenas como fonte de renda para a família e o que ela viu e ouviu, foi traumatizante. Isso porque Elsie e as demais vacas sabiam que sempre quando uma nova bezerrinha chegava ao mundo, sua mãe ia embora, só que elas não sabiam o porquê disso, mas depois do que assistiu, Elsie entendeu muito bem que a sua mãe, não tinha abandonado ela de propósito, em vez disso, ela foi tirada dela de propósito.

Assim, tendo agora a verdade bem viva na mente, Elsie decidi ir embora da fazenda para um lugar o qual ela seja respeita e porque não, endeusada. E o lugar perfeito para isso meus amigos, é a Índia, onde a vaca, é considerada sagrada, um deus.

A partir dessa ideia, Elsie embarca em um plano miraculoso rumo à Índia. Ela só precisa comprar uma passagem de avião e ir para lá sem que ninguém perceba que ela é uma vaca. Simples não? E também só precisa encontrar um jeito de comprar as passagens pela internet, para evitar o contato com um humano e também precisa sair sem ser vista pelos demais animais e a família do fazendeiro e precisa de disfarce e precisa também de. . .  muita coisa não? Como a nossa amiga quadrúpede vai conseguir se nem dedos ela tem para digitar o destino de sua viagem? Ah, mas não se preocupe, é para isso que existem os amigos!

  Conheçam o Jerry, ou melhor, Shalom, um porco que acabou de se converter ao judaísmo para não virar, a palavra com B( bacon). É isso mesmo, ele leu toda a Torá e agora está disposto a ir até Israel. Embora ele seja considerado impuro pelos judeus, esse é o único jeito que ele encontrou para não servir de alimento aos humanos. Melhor ser odiado do que ser comido, não era Maquiavel que dizia isso? haha

E em seguida nós temos, Tom, o peru. Que decidiu entrar em uma dieta rigorosa para não ser comido no dia de Ação de Graças que estava se aproximando, por isso, estava segundo ele, só o coro e o osso. Era difícil, mas não era pior do que morrer para servir de alimento para os humanos.

Assim foram os três em busca de um sonho em comum: Nunca mais servir de alimento para qualquer que fosse o ramo alimentício o qual os humanos precisassem. Elsie iria para a Índia, Shalom para Israel e Tom para a Turquia, este último só porque seu nome era Tom Turquia, achava que lá no país, seria respeitado. Então partiram os nossos três marrentos, espirituosos e divertidos animais da fazendo do norte dos Estados Unidos.

Como eles conseguiram e o que descobriram nessa longa e louca viagem, você vai se deliciar ao ler o livro, isso mesmo, sem spoirles! Além do mais, a leitura é muito fluída, divertida e educadora. Isso mesmo, de uma forma simples, o nosso “cow-autor”, David Duchovnk transmitiu assuntos polêmicos. Como por exemplo, a realidade existente no abate de animais, a rivalidade entre grupos éticos e raciais, as guerras e confrontos por conta de nacionalidade… enfim, tudo o que vemos hoje não é?

Mas se nós, seres humanos somos tão desenvolvidos, tão inteligentes, revolucionários, por que não conseguimos acabar com nossos conflitos mais simples? Pessoas matam umas as outras por banalidades, filhos gananciosos armam contra os próprios pais, vizinhos que apenas têm crenças diferentes são rivais na vida e crianças só quando ensinadas pelos pais, demostram ódio para outras que são diferentes delas, seja na cor, jeito do cabelo e até na forma de pensar. Desculpem, mas se isso é ser evoluído, precisamos re-ajustar nossa denotação para a palavra. É por isso que as reflexões trazidas no livro na voz da Elsie são fascinantes. Tanto é que precisarei fazer outro post depois só para comentar para vocês as frases e passagens dessa vaca tão inteligente que compara Odisseia de Homero aos nossos dias. Ficou curioso? Aguarde nos próximos posts uma matéria inteira dedica as músicas, frases e pensamentos dessa autora quadrúpede!

Obs: O nome do livro lê-se Holy(normal) Cow( Cal), só pra ajudar você! 🙂

Muuu… into obrigada por ler até aqui e nada mais de chamar a amiga gorda de vaca, tá?

6 comentários em “{Resenha} Holy Cow – Uma fábula animal

  1. Que delicia de conto Pri. olhar para a criação nos ensina muito como viver unidos no mundo dividido. embora gosto de carne,leite,bacon e peru sei que eles devem se sentir orgulhosos por contribuir para o nosso bem estar.

  2. Pri…….Que história legal,realmente esse livro ensina muitas lições importantes,principalmente a de respeitarmos de modo genuíno as pessoas,os animais e suas preferências especialmente a de viver com dignidade em qualquer lugar do planeta.Parabéns pela resenha muito atraente e persuasiva!

  3. Caramba Pri, que resenha incrível! A cada parágrafo que você falava da fábula, eu queria que você continuasse… amo seu jeito de escrever e nos mostar novas histórias. Esse livro já está na minha lista de desejados hehehe :* ♡

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