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{Resenha} Ensaio sobre a cegueira- Jose Saramago

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  Literatura Interncaional/312 páginas/ Editora: Companhia das Letras

 

 “O medo cega. Mas já estavam cegos antes da cegueira.”

Preparados para a luta? Porque eu não estava e fui nocauteada pela história do livro.

Esse é mais um daqueles livros que não sabemos ao certo como, começar a falar sobre ele. A princípio, eu não fazia qualquer mensura sobre o impacto que a história desse livro poderia criar em mim, ele só era mais um livro da minha listinha. É como se a sensação de ter consigo um livro que há muito tempo você gostaria de ler, agora fosse invertida: O livro que queria ter você como leitor, e ele que te “pegou”. Deu para entender? Espero imensamente que sim! Então vamos lá.

O que você faria se num dia qualquer, estivesse a caminho de casa, o trânsito estava aquela loucura e você contava os minutos para chegar em casa e descansar, bastava o sinal voltar a abrir e você seguiria seu caminho normal. Mas surge um problema, depois do sinal indicar para seguir, há um carro atrapalhando o tráfego. Imediatamente, os demais motoristas à sua frente e atrás de você, começaram um concerto de buzinas e xingamentos ao pobre motorista interrompendo o trânsito.

O que será que estava acontecendo com aquele motorista? Era bastante óbvio que ele precisava de ajuda mas, você se arriscaria em ir ajudar? Caso sim, aqui vai uma alerta: A cegueira é contagiosa!!

Isso mesmo leitores! É exatamente assim que Jose Saramago nos introduz a atmosfera do seu livro. Um homem, voltando para casa, fica cego súbita e instantaneamente. Por isso ele não conseguiu sair do lugar quando o sinal ficou verde. Porém, vendo todo seu infortúnio, algumas pessoas resolveram ajudar. Um homem, ofereceu-se para levar o cego até em casa. E como um gentil samaritano que se mostrou ser, ofereceu-se também para levar o carro até a rua onde o homem cego morava. E assim sucedeu.

O cego aguardou em casa enquanto a esposa retornava. Ficou deveras agradecido ao homem desconhecido que o ajudara tanto. É claro, chegou a estranhar tamanha bondade, mas como ele chegara “bem”, afastou aquele pensamento. Depois, chegando sua esposa contou a ela o ocorrido e decidiram então ir ao oftalmologista, talvez um médico especifico na área, respondesse o motivo daquela cegueira repentina. Ao sair de casa, o cego logo constatou sua hipótese: seu carro havia sido roubado.

Chegando ao consultório, foi atendido como prioridade, passando à frente de um menino estrábico, um velho com uma venda preta em um olho e uma prostituta que tinha conjuntivite (o livro sempre refere-se a essa personagem com outro termo, menos apropriado para a situação).

O doutor ficou espantado com o caso do homem, pois nunca ouvira falar na história da medicina uma cegueira abrupta como aquela. A cegueira do homem era branca, como se um rio de leite agora invadisse todo seu campo de visão. O médico achou que talvez não passasse de uma cegueira psicológica/ psíquica(agnosia). No entanto, não era. Seu globo ocular estava em perfeito estado e tampouco se tratava de uma amaurose, um tipo de cegueira transitória, só que a vítima via tudo escuro e não tudo branco como aquele homem.

Assim se desenrola a história e um após outro, todos são infectados pela cegueira branca. Primeiro o ladrão, depois a mulher do primeiro cego, a prostituta, o médico, o garotinho estrábico e outros que tiveram contato com essas pessoas. Imediatamente o governo tomou providências ao perceber que se os cegos não fossem contidos, aquilo sairia do controle e a cidade se tornaria um caos.

Assim, foram enviados a um antigo manicômio, onde estariam sob quarentena total. A única pessoa a não cegar, foi a mulher do médico e também não se sabia o porquê disso. Os dias confinados naquele local foram os piores possíveis. Como ainda se adaptavam a vida de cegos, aquelas pessoas eram tratadas como animais enjaulados em camaratas, alimentados algumas vezes ao dia.

O governo informou a eles e ao restante dos cegos que chegavam, sobre as regras daquele local. Resumindo, eram: Não chegarem perto dos portões, para não contaminarem os soldados e tudo o que acontecesse lá dentro, era responsabilidade dos cegos, isso incluía conflitos,brigas,incêndios e até a morte.

Você não achou isso ruim? Então não se importará de saber das condições de higiene naquele local: zero! As descrições que acompanhamos no livro é de revirar o estômago. A que ponto a humanidade chegou ou seria melhor dizer, regressou.

Aos poucos, pessoas de destaque ou com alguma autoridade também foram sendo mandadas para lá. Mas de nada valia sua autoridade e influência num local sem lei, onde a sobrevivência era de quem melhor se adaptava ao “mal-branco”.

A mulher do médico ajudava o marido como podia, mas ninguém além dele, sabia que ela enxergava. Isso era uma benção ou uma maldição? Eu diria que os dois. Ela presenciou, fez coisas que nem conseguimos sequer cogitar a hipótese de um dia ter a coragem de fazer. Percebemos mais uma vez como nós, somos desprezíveis. Durante a leitura me veio a lembrança de uma passagem da bíblia quando diz que “Deus abominou ter feitos os homens na terra.”

É um livro muito impactante, embora escrito de forma simples e bem clara, possui uma mensagem tão dura e tão moralista que nos faz repensar em nossas atitudes, no nosso caráter e nos nossos princípios. Isso porque vemos no livro o que uma pessoa se torna capaz de fazer em situações extremas, vemos o real uso do nosso cérebro reptiliano.

Outro fator bastante importante para essa crítica à humanidade, é o fato dos personagens não terem nomes. Como se fossem indigentes, sem importância nenhuma, como se o autor quisesse que eu, você, cada um de nós, nos imaginássemos vivendo aquelas condições.

Eu separei bastante informação para escrever essa resenha mas não cheguei nem na metade das minhas anotações, porém, como já está ficando bastante extensa, decidi parar por aqui. Esse livro merece ser discutido durante horas e acredito que isso nem seja o suficiente. Um livro indispensável para ler durante a sua vida literária, com certeza.

Então, deixo um incentivo para vocês descobrirem o que acontece com as pessoas desse livro, elas conseguem a liberdade, tanto física quanto emocional? Porque depois do que passaram, pode-se dizer que nasceram de novo e ah, não se preocupem, o final vale a pena! Aguente firme até lá, lembre-se de não ler enquanto come, pois algumas partes são bem…  digamos que, você vai precisar ter o estômago forte! haha

P.S: Por mais livros assim, amém!

P.S2: Todas as imagens aqui colocadas foram tiradas do filme que leva o mesmo nome do livro: Ensaio sobre a cegueira.

4 comentários em “{Resenha} Ensaio sobre a cegueira- Jose Saramago

  1. Realmente, o desenrolar da leitura deva ser bastante impactante.Sua resenha está bastante convidativa para que leiamos o livro,pois com certeza nos colocará em situações que talvez nunca imaginemos enfrentar.

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