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{Resenha} A bolsa amarela – Lygia Bojunga

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Resultado de imagem para a bolsa amarela  Literatura brasileira/ 135 páginas/ Editora: Casa Lygia Bojunga

“Quando eu nasci, minhas duas irmãs e meu irmão já tinham mais de dez anos. Fico achando que é por isso que ninguém aqui em casa tem paciência comigo: todo mundo já é grande há muito tempo,menos eu.”

Finalmente irei resenhar essa doçura que é A bolsa amarela! Desde o final do ano passado que ele se encontra na fila para as resenhas e perdão leitores, realmente estou passando de relapssa! Mas vamos lá, espero lembrar os detalhes direitinho para convencer vocês a lerem esse livro independentemente da idade que possa ter.

Você tem irmão(a), primo(a) pequenos ou conhece alguém que convive com uma criança? Então você já pode imaginar que elas além de muito espertas, são uma verdadeira fonte de imaginação, criatividade e surpresas! Não importa o lugar, as crianças sempre vão ter um jeito diferente de enxergar o mundo e sério, mesmo isso sendo algo bem “normal” aplicado à elas, não deixa de ser incrível, pois por vezes, a contaminação com o mundo adulto não nos deixa perceber o quão colorido pode ser o mundo ao nosso redor.

E se você gosta de crianças inteligentes( não arrogantes, tá?) e engraçadas, vai gostar muito de conhecer a Raquel, a nossa protagonista e caçula de uma família de quatro irmãos, incluindo ela. A Raquel nos narra a sua história e de suas famosas vontades. Ela possui três grandes vontades para ser exata. A primeira é a vontade de crescer e não ser mais criança,( quem de nós não já desejou isso mas se arrependeu amargamente depois de experimentar as responsabilidades da vida adulta?) a segunda vontade é de ter nascido menino em vez de menina ( eu confesso que fiquei curiosa com a explicação da Raquel para essa vontade, percebi então o que ela quis dizer, o motivo nos faz refletir, pois a nossa menina não entendia muito bem porque os homens por vezes tinham mais direitos que as mulheres…) e a terceira e última vontade era a de escrever! ( Desse jeito você me emociona, Raquel!)

Assim, inaugura-se o ambiente da vida da Raquel, pois como ela mesma diz, essas vontades vão só engordando e enrolando a sua vida. E como qualquer outra pessoa, Raquel precisa compartilhar de suas inquietações com outras pessoas, amigos talvez. Mas quem irá escutar uma criança? Os adultos em geral não dão muita atenção aos sentimentos e pensamentos das crianças, mas isso é deveras muito importante. Raquel então decide escrever cartas para um amigo chamado André e logo depois para uma amiga chamada Lorelai( ela que escolhe os nomes dos amigos... espero que tenham entendido a indireta). Mas essa ideia é totalmente frustada pelos irmãos da menina e desconsolada, ela decide procurar urgentemente um lugar para guardar as três vontades.

“Eu tenho que achar depressa um lugar para esconder as três: se tem coisa que eu não quero mais é ver gente grande rindo de mim.”

Um dia, as chancces da Raquel parecem melhorar, pois a tia Brunilda mandou um pacote com muitos objetos e roupas usados para a família da menina. E o que isso tem haver com o problema da Raquel? Ora essa, uma bolsa amarela que ninguém fez questão de ficar, foi justamente a escolha perfeita para Raquel. Ela só precisou trocar o fecho, ajustar a alça e pronto, a bolsa estava novinha! O que ela iria guardar ali? Tudo o que quisesse, suas vontades, seus nomes favoritos, suas histórias e os objetos que achava interessante no caminho.

A vontade de escrever tinha feito Raquel criar uma história de um galo que fugia do galinheiro para viver sua vida como bem quisesse. O problema foi que quando a menina guardou a história dentro da bolsa, Rei, o galo de seu romance, passou a morar lá e desde então era um peso a mais na bolsa. Assim, Raquel e o Rei vivem as mais divertidas aventuras, fazem novos amigos( muitos passam a morar na bolsa também) e aprendem lições importantes sobre a vida e a forma a qual enxergamos as pessoas a nossa volta e o mundo.

Em cada capítulo somos apresentados a um membro novo da bolsa amarela e sua história. E olha que tem umas bem comoventes! É genial como a autora Lygia Bojunga usou para construir de uma história infantil, ensinamentos pra gente grande! Lembro que muitas vezes parei e fiquei meditando na história, fiquei encantada com a simplicidade mas ao mesmo tempo bagagem que esse enredo nos favorece, os simbolismos para o que a Raquel tem com relação ao que ela sente nos fazem lograr de realmente ter posse de um bom livro. Com certeza é um livro que deve ser lido por todos e como muitos me perguntam, sim, esse é um daqueles livros que você pode dar sem medo de presente para uma criança!

Descobrir como a Raquel vai percebendo a vida, como é crescer, ter de fazer escolhas, saber em quem confiar é cativante e nos deixa curiosos. Então espero que apreciem a leitura de A bolsa amarela, ele tem uma linguagem bem acessível e divertida.

“A bolsa amarela tava fazia à beça. Tão leve. E eu também,gozado, eu também estava me sentindo um bocado leve.”

 

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2 comentários em “{Resenha} A bolsa amarela – Lygia Bojunga

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