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{Resenha} A Moreninha – Joaquim Manuel de Macedo

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Resultado de imagem para a moreninha lpm pocket   Literatura brasileira/ 176 páginas/ Editora: L&PM EDITORES

“D. Carolina,pelo contrário,havia rejeitado dez braços. Queria passear só. Um braço era uma prisão e a engraçada Moreninha gostava,sobretudo, da liberdade.”

Ao senhor Joaquim Manuel de Macedo, os meus mais sinceros agradecimentos a criação de “A moreninha!” Que livro lindo, enredo divertidíssimo e uma personagem tão cativante! Lembro que no ensino médio, em alguma aula de química(esperava que eu dissesse literatura? Bom, acho que também devem ter citado por lá) a nossa professora, uma leitora assídua, nos revelou os dois livros que ela tinha lido e guardava na memória com muito esmero: A normalista e A moreninha.  Claro que a surpresa da turma foi geral, de onde se viu uma pessoa que lida com átomos e partículas gostar de romances e felizes para sempre? Como associar a fria tabela de cossenos aos caprichos amorosos de uma boa história da nossa literatura brasileira?

Está aí o nosso estopim para essa resenha! Eu fiquei tão impressionada pelo fato dessa professora gostar de ler sobre assuntos tão diversos, que foquei toda a minha atenção ao que ela dizia. Do modo dela, é claro, um tanto que fria(vamos dar um desconto, era aula de química e não literatura – os meus amigos da química que não levem para o lado pessoal!) mas bastante envolvente, descrevia alguns eventos da narrativa do livro. Então, curiosa como sou, decidi que um dia, leria esses livros para comprovar se realmente era tudo aquilo o qual a professora tinha descrito.

Então, quem é mesmo essa tal de Moreninha? Foi a primeira pergunta que me passou na cabeça. Para responder essa pergunta, no entanto, precisamos primeiro saber a história de um moço chamado Augusto e seus três amigos.

Rio de Janeiro, quatro amigos discutiam algo que acredito eu, os homens devem popular suas conversas: mulheres. Mas diante da atmosfera da época, era uma conversa respeitosa(como deveria continuar sendo até os dias de hoje!) Eles eram estudantes de medicina e planejavam passar um tempo em uma ilha da família de um dos rapazes. Porém, devido ao comportamento de um amante incorrigível entre eles, Augusto, decidiram fazer uma aposta: quem amasse  uma só mulher por 15 dias ou mais, deveria escrever um romance. O acordo foi feito entre Augusto e Filipe, tendo como testemunhas Fabricio e Leopoldo.

E assim se deu. Augusto, admitia não conseguir gostar de uma mulher por vez, sempre encontrava uma mais interessante do que a outra. E já Filipe não tivera muitas experiências positivas no amor. Mesmo assim, decidiram levar a sério o acordo.

Ao chegar na ilha da família, logo percebemos como eram os custumes de antigamente, como eram as festas e o tipo de entreterimento das pessoas. A Sra. D. Ana, dona da casa e avó de Filipe, logo gostou de Augusto e muitas senhoras da festa também. Entre brincadeiras e cochichos, os convidados iam se conhecendo e festejando. Augusto de fato, achou algumas meninas bonitas de cara, dançou com algumas, flertou com outras e todas caíam aos seus pés, que típico!

Mas então… nos é apresentado uma garota diferente, que tem opinião própria, sem papas na língua e que é muito brincalhona! Ninguém menos do que D. Carolina, a nossa Moreninha. Mas sabe, o Augusto nem a achou tão bonita quanta as outras, mas alguma coisa nela lhe chamou atenção.

Mesmo assim, com o passar do tempo tanto Augusto e seus amigos como D. Carolina e suas parentes, estavam se divertindo naquele ambiente familiar e paisagístico da ilha. Um ponto bastante importante no texto é o momento em que Augusto conta sua história para a Sra. D. Ana. Mas por que ele faz isso? Bom, porque durante a leitura todos ficamos curiosos com o fato de Augusto não saber amar uma pessoa, por que ele agia dessa forma? Gostava apenas de iludir as pobres senhoritas ou… ele tinha um motivo muito importante(sim, muito importante) para isso?

Bem, isso eu não posso contar, mas garanto que vai te deixar pensando por um tempo! Talvez a grande lição desse livro seja não querer mudar por ninguém, ou seja, mesmo que você queira conquistar uma pessoa, é essencial ser você mesmo. Mal humor, bom humor, feio, bonito, a pessoa certa sempre vai te achar um arraso!( Temos uma intertextualidade aqui,hein!) A moreninha me ensinou que nem sempre as garotas mais bonitas são as donas da festa, talvez o garoto que todos acham superficial por ser muito desejado, tenha uma boa personalidade e um bom caráter para saber escolher além da aparência!

E além disso, não subestime o poder de um verdadeiro amor, sei que é bem clichê, mas como dizia Clarice, “os sentimentos são sempre uma surpresa”. Então o amor, pode surgir de onde a gente menos espera e por quem a gente nem espera… portanto, fique de olho! Muitas vezes deixamos escapar alguém que sempre esteve ali, só nós que não percebemos.

Assim, concluo dizendo que valeu a pena ter lido A Moreninha e assim como a minha professora de química, essa será uma história gurdada com muito esmero nas minhas memórias. Boas leituras!

6 comentários em “{Resenha} A Moreninha – Joaquim Manuel de Macedo

  1. Agora fiquei curiosa pra ler, Priscila. Minha professora de literatura deu um monte de spoilers desse livro no ensino médio, ainda bem que eu esqueci. 😛

  2. Já li esse livro, e confesso que gostei, e novamente confesso outra coisa, foi um dos poucos romances que li, porque não gosto desse gênero. Enfim, tirando minha opinião, fui resenha foi maravilhosa!

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