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{Resenha} Persépolis – Marjane Satrapi

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  Hq; 352 páginas; Editora: CIA das Letras

 

“Marjane Satrapi tinha apenas dez anos quando se viu obrigada a usar o véu islâmico, numa sala de aula só de meninas.”

Já reescrevi essa introdução algumas vezes, pois não sei de fato por onde começar. Qual começo contar? O porquê da escolha dessa hq ou como ouvi falar de Persépolis? Bem, uma voz no interior da minha mente sugere: as duas, ora! Então vamos lá. Talvez agora dê certo.

Primeiro, o motivo da escolha do livro/hq. Lembro que teve uma época durante a minha descoberta sobre estilos e gêneros literários  que voltei a me interessar por quadrinhos. Porém, eu queria experimentar a leitura de um quadrinho novo, que tivesse uma história diferente daquelas as quais eu tinha lido na infância. Foi então que nas minhas pesquisas, encontrei “Persépolis”. Mas então, sobre o que se tratava essa história em quadrinhos?

Vamos partir para o segundo e o “início” da parte que interessa você, leitor. Persépolis, originalmente publicado em quatro volumes separados, mas juntos aqui na versão brasileira, nos conta parte da infância, adolescência e vida adulta de uma menina-mulher chamada Marji(para os íntimos, tá?) Para quem ainda não tem intimidades, podem chamá-la de Marjane.

Caso você seja um curioso por História, vai se interessar em todo o contexto narrado em Persépolis. Lar das mais antigas civilizações e anteriormente chamado de Pérsia, o país hoje Irã, foi e é palco das mais absurdas reviravoltas, desrespeitos aos direitos humanos e conflitos religiosos e políticos. Devemos nos lembrar que embora a maior parte da população seja de muçulmanos, a grande maioria é da seita xiita, ou seja, eles são mais conservadores.

Marji nos conta em preto-e-branco atráves de desenhos e falas bem elaboradas sobre como foi vivenciar em 1979 o início da revolução do país. Para acrescentar, o conflito Irã-Iraque também contribui para os impropérios entre os cidadãos. Lembro que quando passava na televisão relatos de conflitos, guerras nos países do Oriente, eu sempre me imaginei tão distante daquela realidade, que na minha mente foi se tornando inverossímil.

Infelizmente, ao passar dos anos, percebemos que muitas pessoas são vítimas não só de doença ou fome, mas de guerra.No insipiente do livro, conhecemos um pouco sobre a história política do Irã. Em seguida somos inseridos nos pensamentos e ações de Marji diante os conflitos que começam a aflorar em seu país.

Fiquei diversas vezes me perguntando como eu, se na idade dela, reagiria na mesma situação. Como é ter sua liberdade privada? Como é não poder fazer as coisas que eu gosto ou como é não poder defender aquilo o que eu penso e acredito? Bom, são nesses momentos que a palavra gratidão se faz mais coerente ao seu significado.

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Diria que a narrativa em Persépolis prende a nossa atenção, pois tanto os traços simples, mas condizentes com a história nos transportam para um Irã sem paz. É como se estivéssemos ao lado da Marji e andássemos com medo nas ruas, sem poder escutar músicas, sempre de véu, sempre prestantando total submissão aos homens.

Os pais da Marji lidavam como podiam com as revoluções da época. Participavam ativamente em protestos contra o regime totalitarista. A pequena observava e logo tinha suas próprias convições sobre o que era certo e o errado. No entanto, devido ao perigo, ameaças e mortes, seus pais decidiram lhe mandar para Áustria estudar.  Já entramos na segunda parte do livro.

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Longe dos pais, Marjane se vê diante de novas dúvidas e conflitos, dessa vez com ela mesma. Nessa parte do livro, vemos o quanto a vida de uma pessoa pode mudar,ser influenciada e como a falta de uma orientação segura pode debilitar. Mas claro, os princípios e aquilo que se os pais tiverem incultido de bom e honesto em uma criança a acompanham durante o crescimento.

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Marji me ensinou bastante e me fez acordar ainda mais para uma realidade que não está longe de mim. Vale a pena conferir como ela consegue lidar ou não(porque isso também faz parte, não precisamos saber a resposta para tudo e saber solucionar tudo de imediato) com todas essas mudanças que enfrentou. Além disso, nunca permitam que o calem! Cada um tem o direito de defender aquilo que acredita e respeitar(de verdade, não só da boca pra fora) quem tem crenças, estilos e até leituras diferentes das nossas. As pessoas são como livros, não é porque algum não te agradou que você rasga e taca fogo, você apenas vai procurar outro que lhe interessa e aquele livro o qual não gostou, pode ser o preferido de alguém, então, por que odiar,menosprezar ou insultar  alguém que pensa diferente de você? Deixa a pessoa lá e vá procurar alguém que para você seja de fato interessante.

 

6 comentários em “{Resenha} Persépolis – Marjane Satrapi

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